A prevenção da leishmaniose visceral ganhou um importante reforço no Brasil com a adoção das coleiras impregnadas com deltametrina 4% como estratégia oficial de saúde pública.
A medida foi incorporada pelo Ministério da Saúde como parte das ações de controle da doença em municípios prioritários, com o objetivo de reduzir a transmissão da leishmaniose entre cães e humanos. A iniciativa integra o conceito de Saúde Única, que entende que a saúde animal, humana e ambiental estão diretamente conectadas. Quando o cão é protegido, toda a comunidade também se beneficia.
O mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis) é o principal transmissor da leishmaniose visceral. Como o cão é considerado o principal reservatório urbano da doença, impedir que ele seja picado significa interromper o ciclo de transmissão.
É nesse ponto que entram as coleiras especiais. Impregnadas com deltametrina 4%, elas atuam como repelente contra o mosquito transmissor, oferecendo proteção contínua e ajudando a reduzir o risco de infecção.
Segundo o Ministério da Saúde, mais de 1 milhão de coleiras foram distribuídas inicialmente para 133 municípios prioritários, com investimento superior a R$ 16 milhões. Estudos realizados apontaram que o risco de infecção dos cães foi 52% menor nas áreas onde a estratégia foi aplicada de forma contínua.
Além da proteção individual dos animais, o uso das coleiras contribui para a redução dos casos humanos e fortalece o trabalho preventivo das equipes de vigilância em saúde.
Especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a melhor forma de enfrentamento da doença. O uso correto das coleiras, aliado à limpeza de quintais e à eliminação de matéria orgânica acumulada, ajuda a reduzir a presença do mosquito e aumenta a proteção de toda a família.
Mais do que cuidar do pet, usar a coleira é uma atitude de saúde pública.



