A leishmaniose visceral ainda representa um grande desafio para a saúde pública em diversas regiões do Brasil. Transmitida pelo mosquito-palha, a doença pode afetar cães e humanos e, muitas vezes, o diagnóstico acontece apenas quando o quadro já está avançado.
Pensando nisso, o uso de coleiras repelentes em cães vem se consolidando como uma das estratégias mais eficazes de prevenção, fortalecendo projetos de conscientização e controle da doença em todo o país.
O chamado “encoleiramento” consiste na utilização de coleiras impregnadas com deltametrina 4%, substância que ajuda a repelir o mosquito transmissor. Como o cão é o principal reservatório urbano da leishmaniose, protegê-lo significa reduzir diretamente o risco para as pessoas.
Estudos recentes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam resultados bastante positivos. Em áreas onde a estratégia foi aplicada, houve redução significativa da soroprevalência canina, diminuição no número de eutanásias e uma queda expressiva de até 91,5% nos casos humanos em municípios priorizados.
Além da distribuição das coleiras, o trabalho também envolve orientação à população, ações educativas, acompanhamento veterinário e monitoramento epidemiológico. O objetivo não é apenas combater a doença, mas promover informação e fortalecer a prevenção antes que o problema aconteça.
Segundo especialistas, um dos maiores desafios ainda é a falta de informação. Muitas famílias desconhecem os riscos da leishmaniose e não sabem que uma medida simples pode fazer tanta diferença na proteção da casa e da comunidade.
Por isso, iniciativas como o Projeto Coleiras se tornam cada vez mais importantes. Quando a prevenção chega antes da doença, o impacto é muito maior e proteger um cachorro pode significar proteger uma cidade inteira.



